Posicionamento

Conheça as pautas que guiam o exercício social e político da Liga Católica:

I. SOMOS CONTRA:

  1. O aborto
  2. A eutanásia
  3. A legalização das drogas
  4. A ideologia de gênero
  5. A doutrinação ideológica nas escolas
  6. O socialismo /comunismo
  7. A ideologia liberal
  8. As políticas raciais ou de cotas

II. DEFENDEMOS:

  1. A Doutrina Social da Igreja
  2. O direito natural
  3. A moral cristã
  4. A família
  5. O ensino domiciliar
  6. A legítima defesa
  7. A propriedade privada

Conheça o princípio do mal menor:

I.O PRINCÍPIO DO MAL MENOR E SUA APLICAÇÃO POLÍTICA

1. O princípio do mal menor consiste específica e restritamente em, diante da inevitabilidade de sobrevir um entre dois ou mais males, onde não existe a possibilidade de evita-los todos, ser preferível que entre os males se escolha o menor.

2. A escolha do mal menor, portanto, só é possível diante de um inescapável dilema, onde não se quer aceitar, defender ou promover de forma alguma qualquer mal, mas apenas se busca evitar o aumento ou avanço do mal. Simples.

II. CITAÇÕES QUE CORROBORAM ESSE PRINCÍPIO

1. São Tomás de Aquino. Do governo dos príncipes ao rei de Chipre:

Como, porém, é mister escolher entre dois, dos quais, tanto de um como de outro, está iminente o perigo, cumpre que, com muito mais preferência, se escolha aquele do qual deriva menos mal.”. 1

Mais ainda: parece que se deva mais fugir daquilo de que, com mais frequência, podem advir grandes perigos;”. 2

2. Concílio Toledano, art. VIII:

Entre dois males, ambos devem ser evitados com a maior precaução. Mas, se a necessidade de perigo forçasse a realizar um deles, deve-se escolher aquele que menos obrigue.”. 3

3. Papa Leão XIII na Encíclica Immortale Dei:

En el orden práctico

22.

Es también de interés público que los católicos colaboren acertadamente en la administración municipal, procurando y logrando sobre todo que se atienda a la instrucción pública de la juventud en lo referente a la religión y a las buenas costumbres, como conviene a personas cristianas: de esta enseñanza depende en gran manera el bien público de cada ciudad. Asimismo, por regla general, es bueno y útil que la acción de los católicos se extienda desde este estrecho círculo a un campo más amplio, e incluso que abarque el poder supremo del Estado. Decimos por regla general porque estas enseñanzas nuestras están dirigidas a todas las naciones. Puede muy bien suceder que en alguna parte, por causas muy graves y muy justas, no convenga en modo alguno intervenir en el gobierno de un Estado ni ocupar en él puestos políticos. Pero en general, como hemos dicho, no querer tomar parte alguna en la vida pública sería tan reprensible como no querer prestar ayuda alguna al bien común. Tanto más cuanto que los católicos, en virtud de la misma doctrina que profesan, están obligados en conciencia a cumplir estas obligaciones con toda fidelidad. De lo contrario, si se abstienen políticamente, los asuntos políticos caerán en manos de personas cuya manera de pensar puede ofrecer escasas esperanzas de salvación para el Estado. Situación que redundaría también en no pequeño daño de la religión cristiana. Podrían entonces mucho los enemigos de la Iglesia y podrían muy poco sus amigos. Queda, por tanto, bien claro que los católicos tienen motivos justos para intervenir en la vida política de los pueblos. No acuden ni deben acudir a la vida política para aprobar lo que actualmente puede haber de censurable en las instituciones políticas del Estado, sino para hacer que estas mismas instituciones se pongan, en lo posible, al servicio sincero y verdadero del bien público, procurando infundir en todas las venas del Estado, como savia y sangre vigorosa, la eficaz influencia de la religión católica.”. 4

4. São Pio X, sobre a eleição italiana:

Os indivíduos particulares dos partidos políticos poderão ser piores uns dos outros e, às vezes, talvez, alguém pertencente a um partido mais progressista poderá ser menos mal que outro pertencente a um partido mais conservador; mas sempre será, por si mesmo, menos mau, ou mais tolerável, aquele que em seu programa de governo se mostre menos perseguidor da Igreja.”. 5

6. O Papa São Pio X sobre a obra “Algo sobre las elecciones municipales”, de autoria do Rev. Pe. Venancio Minteguiaga, publicado em outubro de 1905, na revista “Razón y Fe”:

Ao venerável irmão Victoriano, Bispo de Madri, Arcebispo de Valencia.

Pio Pp. X.

Venerável Irmão, saúde e bênção Apostólica: Chegou ao nosso conhecimento que entre os católicos da Espanha originaram-se certas disputas, que exacerbaram um pouco nestes últimos meses as antigas discórdias de partido. Foi-se tomado a propósito de tais disputas de dois artigos publicados na revista ‘Razón y Fé’, sobre o dever dos católicos de concorrer às eleições para eleger aos que hão de administrar o interesse público, e sobre a norma que ha de seguir-se para escolher entre os candidatos quando há competência.

Por nossa parte, quisemos que fossem examinados os dois referidos artigos, e nada há neles que não seja ensinado atualmente pela maior parte dos Doutores de Moral, sem que a Igreja o reprove nem o contradiga. Não existe, pois, razão para que os ânimos de tal forma se inflamem: assim, desejamos e queremos que cessem por completo as dissensões surgidas e demasiado fomentadas por um longo tempo. Isto certamente tanto mais o desejamos, quanto que, se alguma vez, agora mais do que nunca é necessária a maior concórdia dos católicos.

Tenham todos presentes que, diante do perigo da religião ou do bem público, a ninguém é lícito permanecer ocioso. Agora bem, os que se esforçam por destruir a religião ou a sociedade, põe a mira principalmente em apoderar-se, se lhes fosse dado, da administração pública e em ser nomeados para os cargos legislativos. Portanto, é necessário que os católicos evitem com todo o cuidado tal perigo, e assim, deixados de lado os interesses de partido, trabalhem duramente pela incolumidade da religião e da pátria, procurando com empenho sobretudo, isto; a saber: que tanto às assembleias administrativas como às políticas ou do reino vaiam aqueles que, consideradas as condições de cada eleição e as circunstâncias dos tempos e dos lugares, segundo retamente se resolve nos artigos da citada revista, pareça que hão de olhar melhor pelos interesses da religião e da pátria no exercício de seu cargo público.

Estas coisas, Venerável Irmão, desejamos que vós e os demais Bispos da Espanha aviseis e persuadais o povo, e que reprimais em diante com prudência tais disputas entre os católicos.

Como um penhor de dons divinos e em testemunho de nossa benevolência damos a todos com sumo afeto a bênção Apostólica.

Dado em Roma, em São Pedro, no dia 20 de fevereiro, ano 1906, terceiro de nosso Pontificado.

Pio, Papa X6

5. Citações da obra “Algo sobre las elecciones municipales”, de autoria do Rev. Pe. Venancio Minteguiaga:

Pergunta Gury-Ferreres, falando das eleições populares, ‘se é lícito dar alguma vez o voto a um candidato menos indigno ou também indigno’; e contesta com resolução de uma maneira afirmativa ‘se não há esperança, diz, da eleição de um candidato digno, e o indigno concorre unicamente com outro mais indigno, porque então a eleição de um candidato menos mal tem razão de bem’ (Casus conscientiae, de 4º praec. decal., cas. 9º). E cita, entre outros, em seu apoio ao Canônico Penitenciário Berardi, quem, proposto o caso, o resolve com a mesma determinação, e cita por sua vez, em seu favor, a Aertnys e a Villada (Praxis confesar., tract. IV, cap. II, punct. IV).7

Pergunta o Cardeal Lugo ‘se é lícito alguma vez eleger para os benefícios a uma pessoa não digna’ e responde nos termos seguintes:

Nunca é lícito senão quando não se encontra uma pessoa digna; porque então, para evitar um mal maior, se pode dar o benefício ao indigno, segundo o ensinam, com outros, Lesio e Filiucio. E é o que se faz nas regiões setentrionais infestadas de heresia, onde, para evitar um mal maior, e para que os benefícios não caiam nas mãos de hereges, elegem-se algumas vezes católicos pouco dignos ou indignos’ (De. Iust., disp. 35, sect. 1, nº5)”.8

III. CONCLUSÃO

1. Todo católico é obrigado a votar nos candidatos verdadeiramente católicos e não em outros. Ponto.

2. Além de tudo o que já foi exposto acima, o princípio do mal menor tem a aprovação da maioria dos Doutores de Moral e, como o afirma explicitamente São Pio X, sem que a Igreja o reprove ou contradiga. Todavia, se é maioria não é unanimidade, de modo que, pelo menos podemos afirmar, com certeza, que é muito mais provável que a escolha do mal menor, dentro dos parâmetros aqui definidos, seja lícita e não o contrário.

3. Todavia, se vamos atuar na política, não vamos nos abster. Não vamos deixar de agir para evitar tanto quanto possível o crescimento do mal ou o avanço do mal, ainda que a única maneira de o fazer seja escolhendo o candidato menos indigno que classificamos como o mal menor.

4. Obviamente, nosso objetivo primeiro deve ser criar uma opção verdadeiramente católica. Contudo, na falta dessa e na possibilidade de evitar um entre dois ou mais males, dos quais um virá inevitavelmente, escolheremos o mal menor.

5. Aquelas pessoas que tenham escrúpulos ou tenham qualquer dificuldade em entender e aplicar esse princípio quando for conveniente e justo, em suma, qualquer um que tenha dificuldade em seguir o princípio, não poderá nos ajudar diretamente nessa batalha. Ajudar-nos-á com suas orações, sacrifícios e outras diversas atividades boas, mas não na atividade especificamente política.

IV. NOTAS

1 São Tomás de Aquino. Do governo dos príncipes ao rei de Cipro. 1º ed. São Paulo: EDIPRO, 2013, p. 55. Compete observar que São Tomás, neste ponto, está referindo-se a uma escolha necessária entre duas formas de governo, em princípio, lícitas. Todavia, por analogia, sua explicação ajuda na compreensão do problema da escolha do mal menor (candidato menos pior, menos indigno), que é a questão aqui discutida, visto que em ambos os caso não se busca o mal, não se quer nenhum mal e nem existe a possibilidade de evita-los todos ao mesmo tempo, mas apenas se busca diminuir o mal ou evitar o máximo de males possíveis.

2 Idem, p. 56.

3 “Por isto também quando não se pode evitar o incêndio de uma casa, se destrói parte dela para salvar o restante, e em um naufrágio se lançam as mercadorias ao mar para liberar o barco, e, o que mais vem ao caso, se deixa o homem cortar o braço ou a mão, o qual por si não é lícito, para conservar a vida. Nestes casos eleger o menos mal é eleger o bom; é, a saber, a diminuição do mal, e é mirar e tentar unicamente o bem no mal que se tolera e se permite. O princípio que estabelece que de dois males necessários se deve eleger o menor, tem sua sagração no direito canônico (Decreti prim. part., disp. 13.c.1.Duo mala – Diz o título do capítulo: Minus malum de duobus eligendum est. E continua: Unde in Concilio Toletano, 8, c. 2, legitur: Duo mala, licet sint omnino cautissime praecavenda, tamen si periculi necesitas ex his unum perpetrare compulerit, id debemus resolvere quod minori nexu noscitur obligare).”. Cf.: https://cruzadosmaria.blogspot.com/2009/05/moralidade-do-voto-candidatos-menos.html

4 http://www.vatican.va/content/leo-xiii/es/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_01111885_immortale-dei.html

5 https://salvemaria.com.br/eleicoes-e-mal-menor/#Argumentos_a_favor_do_mal_menor_nas_eleicoes_ser_licito

6 https://www.vatican.va/content/pius-x/la/letters/documents/hf_p-x_let_19060220_inter-catholicos.html

Cf.: https://cruzadosmaria.blogspot.com/2009/05/moralidade-do-voto-candidatos-menos.html

7 Cf.: https://cruzadosmaria.blogspot.com/2009/05/moralidade-do-voto-candidatos-menos.html

8 Idem.

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